sexta-feira, 5 de junho de 2009

Fogão ecológico produz energia no Acre

junho 10, 2008

Com tecnologia nacional, comunidades isoladas do Acre já podem ver TV e escutar músicas sem rádios de pilha. Tecnologia começa a ser industrializada ainda neste ano.

Um fogão criado pelo engenheiro mecânico, Ronaldo Sato, e desenvolvido em parceira com a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), transformou a realidade de 27 famílias de seringueiros que vivem em mata fechada, como a comunidade da reserva extrativista Chico Mendes, em Xapuri, no Acre. Eles agora têm acesso à energia elétrica. Desenvolvido desde 2004, o projeto tem como financiadora a Eletronorte e parceiros como o governo do estado do Acre, Eletroacre, Embrapa e UFAC.

O fogão, que pesa em torno de 140 kg, além de uma bateria de 20 kg, funciona com o vapor de uma pequena caixa d’água aquecida, que passa para um motor acoplado a um gerador e transforma energia mecânica em energia elétrica, armazenada numa bateria. O uso dos fogões, que foram instalados na resex Chico Mendes, é acompanhado de perto pelos técnicos da Funtac para anotar as observações dos usuários e fazer modificações necessárias para atender suas exigências.

Uma das vantagens do fogão ecológico é que ele consome cerca de 30% menos lenha que o fogão tradicional. A produção de energia permite ligar três lâmpadas 12 Volts, uma televisão e um rádio a 110 Volts.

Para os técnicos, a inovação tecnológica vai além da geração de energia elétrica e economia no consumo de lenha, pois ela tem um manejo simples, pouca manutenção a ser operada pelos usuários, não emite fuligem, é ambientalmente correto e produzido com componentes nacionais.

Prêmio

O projeto do fogão já foi vencedor, em 2006, do prêmio Inovação Tecnológica oferecido pela Financiadora de Estudos e projetos (FINEP). O fogão recebeu medalha de ouro na categoria inovação social, já que serve aos propósitos do programa Luz para Todos no estado do Acre, mas ainda não está incluído no programa.

Operação de Guerra

A logística, uma das grandes dificuldades enfrentadas na região amazônica, é também complexa na hora de transportar o fogão. Ele é levado até certo ponto de caminhão e, depois, carregado nas costas de vários homens por um ramal (pequena estrada aberta na mata) até chegar à comunidade.

Produção em escala

Segundo o engenheiro químico e pesquisador da Funtac, Carlos Eduardo Garção de Carvalho, o fogão deverá em breve ser disponibilizado para outras comunidades. Colaborador do projeto, Carlos Eduardo diz que já foram feitas algumas discussões com a iniciativa privada para que a nova tecnologia seja consolidada no estado do Acre. Uma empresa, já instalada em Rio Branco, será responsável por industrializar 500 unidades por mês e gerar 50 empregos diretos. Segundo o convênio firmado com o governo do Acre, as operações da nova fábrica estão previstas para começar ainda neste ano.

Notícias da Amazônia (por Camila Fiorese)

Fotos: Arquivo Funtac e Eletronorte

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